O Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Sao José dos Campos lança um chamado de solidariedade internacional operária com a luta dos trabalhadores automobilísticos da General Motors do Brasil
A General Motors S.A., a maior produtora de automovéis do mundo, possui, basicamente, dois grandes centros de producao automobilística no Brasil: o complexo de Sao José dos Campos &endash; que emprega hoje cerca de 8.500 trabalhadores- e a fábrica de Sao Caetano, na regiao do ABC &endash; onde operam 4.000 trabalhadores.
O Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Sao José dos Campos ocupa-se com as disputas trabalhistas do complexo automobilístico da GM, situado na cidade de Sao José dos Campos, interior do Estado de Sao Paulo.
Recentemente, esse sindicato metalúrgico ajudou os trabalhadores automobilísticos da GM de Sao José dos Campos a obterem uma vitória parcial e temporária contra a demissao de 850 trabalhadores.
O complexo da GM de Sao José dos Campos foi forcado a suspender, transitoriamente, seu plano de demissoes coletivas.
O pano de fundo desses ataques da GM do Brasil é a competicao global, acirrada e fatal, no interior da indústria automobilística, em nível mundial, que pretende desferir um golpe desvastante ao trabalhadores autobilísticos e suas famílias, no futuro próximo, como também a presente crise da economia capitalista mundial.
A ECONOMIA BRASILEIRA MERGULHA NOVAMENTE EM RECESSAO: O FMI PRESSIONA O PAÍS A DESMANTELAR AS CONQUISTAS SOCIAIS
Após a bancarrota do Plano Real, arquitetado pelo atual governo federal brasileiro de F.H. Cardoso e cujo principal objetivo foi a estabilidade da moeda brasileira segundo a equacao 1 dólar norte-americano igual a aproximadamente a 1 real, a crise econômica brasileira conduz o país agora a um novo colapso político e institucional.
O mais conhecido jornal do país, a Folha de Sao Paulo, está projetando uma taxa de inflacao de 54% para esse ano.
A moeda brasileira caiu, dramaticamente, depois que o dólar norte-americano superou, explosivamente, a quotacao oficial de 2 reais.
No presente momento, o Real continua a cair em relacao ao dólar norte-americano, ameacando a aprofundar ainda mais a crise econômica global e aplicar um golpe paralisante aos enfermos bancos e mercados de acoes da América Latina.
Enquanto os mercados de acoes e monetários em toda as partes da América Latina padecem do início impactante de 1999, marcado por uma tempestade econômica e política, o Fundo Monetário Internacional (FMI) exige que o o governo brasileiro tome medidas para desmantelar brutalmente as poucas conquistas sociais, adquiridas pela classe trabalhadora brasileira, e deter a queda monumental do Real.
Em troca, o governo brasileiro espera que o FMI conceda tranches adicionais de crédito e um pacote de perdao de dívida abrangente, similar àquele acordado durante os anos 80.
De acôrdo com sua política financeira internacional de perdao de dívidas, o presidente brasileiro F.H. Cardoso mudou, por duas vezes, nos primeiros três meses desse ano, os membros da presidência do banco central do Brasil e, finalmente, nomeou Armínio Fraga Neto como novo presidente dessa instituicao.
Fraga é o antigo assessor técnico de financas do maior especulador dos mercados financeiros mundiais, George Soros.
O banco central do Brasil permanece inflexível na manutencao das altas taxas de juros e deprime a economia, de maneira inédita, a fim de satisfazer as exigências do FMI relacionadas com o pagamento da colossal dívida externa brasileira.
Os empresários brasileiros, antes impetuosos, afunda profundamente agora em forte recessao. As exportacoes brasileiras encolhem pelo segundo ano consecutivo.
AS INDÚSTRIAS AUTOMOBILÍSTICAS MULTINACIONAIS GOLPEIAM COM DEMISSOES E CORTES SALARIAIS: OS TRABALHADORES AUTOMOBILÍSTICOS LUTAM POR SEUS EMPREGOS E SALÁRIOS
Nesse contexto, ocorre no Brazil, presentemente, um ataque global contra os trabalhadores automobilísticos das montadoras.
Os patroes da GM propuseram, no início desse ano, 850 demissoes na fábrica de Sao José dos Campos e aproximadamente 900, na fábrica de Sao Caetano, na regiao do ABC.
Ao mesmo tempo, os patroes da Ford propuseram 2.8000 demissoes na fábrica da Ford da Regiao do ABC, onde estao empregados 6.000 trabalhadores automobilísticos (Regiao do ABC significa, no Brasil, a concentracao de três grandes cidades industriais inter-conectadas do Estado de Sao Paulo, i.e. Santo Andre, Sao Bernardo e Sao Caetano, que conformam conjuntamente o maior centro de producao automobilística da América do Sul).
Além disso, a Ford propôs 550 demissoes na fábrica de Tatuapé &endash; uma cidade do Vale do Paraíba, situada no mesmo Estado de Sao Paulo -, onde operam 1.110 trabalhadores automobilísticos, e 500 demissoes na fábrica do Ipiranga, situada no centro da capital de Sao Paulo, onde cerca de 1.500 trabalhadores automobilísticos estao empregados hoje.
Os patroes da maior produtora de veículos da Alemanha, a Volkswagen S.A., pretendem aplicar agora um corte de pagamento de 15% nos salários dos trabalhadores automobilísticos da fábrica que possuem em Sao Bernardo.
Até mesmo a Mercedes Benz propoe agora um assim-chamado "Plano de Gerenciamento da Crise", segundo o qual os trabalhadores podem permanecer um mês em casa, depois de terem trabalhado 200 horas no quadro de um "banco de horas" limitado.
O grande problema com esse plano é o de que a Mercedes passa a dever 1.000 Reais, isto é cerca de 500 dólares, a cada trabalhador, que será pago, no máximo, com 60% de sua participacao nos lucros e resultados e com o 13° salário e férias.
A Scania também propoe a aplicacao de um "Banco de 400 Horas", acompanhado com uma irrestrita flexibilizacao da jornada de trabalho, de 38 a 48 horas.
Os trabalhadores da GM e o Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Sao Jose dos Campos resistiram, nas últimas semanas, com greves e ameacas de ocupacao de fábrica.
Os patroes da GM recuaram e os trabalhadores alcancaram uma vitória táctica e temporária. Na fábrica da Ford da regiao do ABC o sindicato local foi obrigado a resistir, pois 41% do pessoal poderia ser demitida.
Entretanto, esse sindicato negociou um armistício e aceitou um plano de demissoes volutárias(PVD).
Depois da aplicacao desse plano, apenas 1.600 trabalhadores permaneceram na Ford. Agora, os trabalhadores automobilísticos da Ford vivem um impasse: os patroes afirmam que esse pessoal já reduzido é excendente e nao apresenta mais proposta nenhuma. Pelo contrário, a Ford espera uma proposta do Sindicato dos Trabalhadores da Regiao do ABC acerca dessa matéria.
O sindicato e os patroes da Regiao do ABC negociaram recentemente um acordo com o governo brasileiro, a fim de diminuir a porcentagem do imposto de produtos industrializados (IPI) sobre os veículos automotores.
Os patroes congelaram, a seguir, os precos dos veículos e prometeram manter os níveis de emprego nas fábricas, por três meses.
Porém, a crise no Brasil possui verdadeiramente um caráter estrutural e o fantasma das novas demissoes com certeza reaparecerá ao final desse armistício transitório.
Todos esses fatos criaram um grande incerteza para os trabalhadores automobilísticos do Brasil, abalaram as chances econômicas de uma recuperacao produtiva e produzem agora uma reorganizacao do movimento dos trabalhadores.
Nessa situacao plenamente instável, os trabalhadores da Regiao do ABC &endash; em particular os trabalhadores da fábrica da GM de Sao Caetano, na Regiao do ABC, com 4.000 trabalhadores horistas, e os trabalhadores do complexo da GM de Sao José dos Campos, com 8.500 horistas -, temem perder seus empregos porque o Sindicato dos Metalúrgicos da Regiao do ABC negou-se a unificar suas lutas com outras montadoras do Estado de Sao Paulo e ameacar com manifestacoes e ocupacoes de fábrica.
Esse trabalhadores estao se dirigindo a agudas mobilizacoes operárias independentes, embora ainda situadas em um contexto genericamente defensivo.
Para os trabalhadores brasileiros das indústrias metalúrgicas, a confianca no governo Cardoso comeca a tocar o chao.
Caracterizado por crescentes cifras de desemprego, poluicao progressiva, aplicacao de pressoes impiedosas no setor das indústrias em favor de lucros máximos e privatizacoes, desmatelacao das conquistas sociais e econômicas históricas das massas brasileiras, o governo Cardoso revela-se cada vez mais estar a servico dos grandes empresários. Enquanto a velha e a nova oposicao em Brasília provou ser absolutamente imprestável para opor-se seriamente ao programa de crise de Cardoso, os trabalhadores automobilísticos procuram organizar manifestacoes de massas, nas quais os trabalhadores da GM vem desempenhando um papel de vanguarda.
Os trabalhadores da GM pretendem assumir iniciativas e preparar-se para manifestacoes de massas e greves, a fim de derrubar a política de demissoes e desmantelamento, defendida pelos patroes e pelo governo neo-liberal.
SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL COM A LUTA DOS TRABALHADORES DA GENERAL MOTORS DO BRASIL
COMPANHEIROS !
Por essa razao, estamos chamando todos os trabalhadores automobilísticos, trabalhadores de fábrica e dirigentes sindicais das montadores como também das fornecedoras de pecas e agências, a apoiar a luta dos trabalhadores da GM do Brasil.
Pensamos que a solidariedade internacional é fundamental para essa luta.
Os trabalhadores da GM de Sao Jose dos Campos e Sao Caetano, na Regiao do ABC, necessitam mensagens de solidariedade com sua luta, enviadas pelos trabalhadores dos EUA e do Canadá.
As fábricas da GM do EUA e do Canadá também estao ameacadas com demissoes.
Propomos enviar-lhes também mensagens de solidariedade do Brasil.
Precisamos, além disso, de uma plataforma comum e correspondentes contatos sistemáticos, a fim de organizar nossa luta contra as demissoes, os fechamentos de fábricas e os cortes de pagamento.
Por isso, seria muito importante que delegados dos trabalhadores da GM e delegacoes de trabalhadores combativos do movimento sindical dos EUA e do Canadá viessem ao Brasil (a viagem de delegados brasileiros dos trabalhadores da GM aos EUA ou ao Canadá parece agora, pelo contrário, estar cada vez mais difícil, em razao da desvalorizacao devastadora da moeda brasileira, o Real, em relacao ao U.S. dollar).
Essa iniciativa poderia conduzir a uma reuniao internacional dos trabalhadores da GM e até mesmo a um encontro internacional dos trabalhadores da GM em montadoras.
Assim, estaríamos aptos a impulsionar uma consciente resistência operária internacional contra os ataques da GM, lutando vigorosamente contra demissoes, flexibilizacoes, cortes salariais e o regime de banco de horas.
Discutam esse chamado em todas as fábricas da GM e em outras fábricas de trabalhadores automobilísticos!
Facam os preparativos para um diálogo internacional dos trabalhadores automobilísticos da GM !
Sugiram as formas e os meios para assegurar o êxito desse chamado de solidariedade international com a luta dos trabalhadores da GM !
Por favor, enviem suas mensagens de solidariedade internacional com a luta dos trabalhadores da GM ao seguinte endereco eletrônico do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Sao José dos Campos: